01/10/2014

As leis, por Gabriel Novis Neves


Lei não se discute e tem de ser cumprida. Durante nossa vida não fazemos outra coisa a não ser nos sujeitarmos ao que dizem essas normas produzidas em massa pelo Congresso Nacional, sancionadas pelo Presidente da República e publicadas no Diário Oficial da Nação. 
Existem ainda leis estaduais e municipais que seguem o mesmo ritmo. Todo brasileiro tem obrigação de conhecer a existência delas e segui-las para não ser punido por descumprimento das mesmas. 
A maioria delas cai em desuso e outras tantas nem regulamentadas são pelo Poder Executivo, sempre com excesso de trabalho. 
Se discordarmos de algumas delas, só a justiça tem condições de avaliar a sua constitucionalidade, isto é, se temos razão ou não. 
Somos recordistas mundiais em leis, e o melhor exemplo são as inúmeras constituições que já tivemos. 
A mais recente, a Constituição Cidadã do Dr. Ulysses Guimarães, com menos de trinta anos de existência, está irreconhecível. 
Com tantos remendos e artigos ainda não regulamentados, só bons escritórios de advocacia para entendê-la. 
Neste período eleitoral já tem candidatos falando na necessidade de uma nova Constituição Federal. 
A dos Estados Unidos da América do Norte tem mais de duzentos anos de promulgada e conta com poucos artigos. 
A minha geração, que não é da idade da pedra, já experimentou umas seis Constituições. 
Há artigos obrigatórios e que não são cumpridos pelo próprio governo. Forma-se então o efeito cascata: federal, estadual e municipal. Por exemplo, nos repasses dos percentuais para a educação e saúde – ninguém cumpre. 
Esses indicadores são maquiados e o resultado é o péssimo sistema de saúde que possuímos e uma educação formadora de analfabetos funcionais. 
No processo eleitoral o voto é obrigatório em nosso país, numa evidente demonstração de atraso da nossa gente. 
O não cumprimento do “dever cívico” sem justificativa convincente ao Tribunal Regional Eleitoral acarreta severas penas ao “infrator”. 
Funcionários públicos ficam sem receber seus salários, cidadãos impossibilitados de prestar concurso público, passaporte bloqueado e nem sei o que mais. 
O não votante torna-se um marginal e os eleitores sem informação, gerada pela péssima educação, elegem marginais - tudo dentro das leis deste país. 
Mas, para a felicidade dos idosos maiores de setenta anos de idade, essa lei os libera da obrigatoriedade do voto. 
Diante de tantos acontecimentos que nos envergonham como trabalhadores - praticados na sua maioria pelos fazedores das leis - em boa hora surgiu essa possibilidade de não comparecer às urnas, pois nada mudará nesta nação rica em desigualdades sociais. 
As frustrações e decepções, salvo honrosas exceções, nos dão a sensação que todos os nossos políticos são “farinha do mesmo saco”. 
Essa lei protege os idosos de não serem coniventes com tantas bandalheiras realizadas repetidamente com brandas punições aos eleitos pelo povo, sem acesso à educação. 
Impossível nessa miscelânea de disputa do poder pelo poder ser otimista e, muito menos, pensar em mudanças. 
Qualquer que seja o resultado das próximas eleições tudo continuará como dantes. 
Plagiando um poeta, “quando a verdade é substituída pelo silêncio, este se torna uma mentira”. 
Talvez seja sua modalidade mais eficiente. 
Quando os escândalos públicos, como o mais recente da Petrobras, são respondidos com o silêncio pelos políticos que disputam o poder, o melhor que faz o idoso é ficar em casa amparado pela lei. 

Gatão de Meia idade - pai maduro, filha verde



30/09/2014

Bom dia, flor do dia 30 de setembro, por Valéria del Cueto #photography #flordodia

Bom dia, flor do dia 30 de setembro, por Valéria del Cueto #photography
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Espera, por Gabriel Novis Neves


Os profissionais da “espera” são muitos. Dentre eles: pescadores, caçadores, médicos parteiros. 
O médico parteiro, no entanto, tem um grande e divino diferencial: espera pacienciosamente para receber e aparar uma nova vida. 
A chegada de um novo ser é o maior espetáculo da natureza do qual o homem pode participar.  Lindo e incomparável, excita nossas emoções e propicia uma ampla reflexão sobre o futuro, se isso fosse possível. 
Quantos produtos de solitárias e longas horas de espera foram transformados em verdadeiros benfeitores da humanidade? 
O trabalho de espera é para poucos neste mundo atual da velocidade e de resultados instantâneos. 
Por isso, esses “esperadores” estão desaparecendo no competitivo mercado de trabalho da velocidade e, no caso da obstetrícia, cedendo lugar aos “fazedores” de cesariana com data marcada. 
Entretanto, não nos esqueçamos de que existem outras formas de espera. 
Como nos versos de Camões. Jacó esperou sete anos fazendo trabalhos forçados de pastor para Labão, pai de Raquel, serrana bela que pretendia para se casar. Assim que terminaram esses intermináveis anos de espera, não cumprindo com a sua palavra, Labão pediu a Jacó mais sete anos de serviços para lhe entregar sua filha Raquel. Jacó aceitou, pois estava disposto a ser servil a vida toda para um dia possuir a sua Raquel. 
Assim é a vida para os “esperadores”. 
Observando grupos  de jogadores de cassino entendemos o prazer oferecido aos que se utilizam das máquinas de brinquedo dos salões de diversão. 
Relatam que duas ou três horas na frente da máquina das ilusões, faz que as misérias deste mundo sejam esquecidas. Eu creio que a liberação de serotonina é intensa nesses usuários, que estão ali apenas pelo prazer lúdico do desligamento da vida real. 
As perdas, para eles, são como compras de uma fantasia desejada. Ninguém se aborrece com os pequenos desfalques materiais para a aquisição de momentos de grandes prazeres. 
A razão não elimina o prazer, mesmo com perda material após longa espera. 
A sensibilidade responsável entende que a paz tem de ser procurada, mesmo em uma espera – dentre as muitas que nos são oferecidas.