31/10/2014

Médicos Sem Fronteiras: Um grande trabalho que merece divulgação e doações

Sou #VoluntárioVirtualMSF e convido você a conhecer e compartilhar histórias de sobreviventes do Ebola: http://goo.gl/BT08vs

30/10/2014

Gatão de Meia Idade - procurando encrenca...



Foco perdido, por Gabriel Novis Neves

Estaria o mundo totalmente desfocado, ou seria o meu olhar, habituado ao enquadramento de molduras para as minhas lentes, o responsável pela limitação de tudo que vejo?
O nosso saudoso escritor, João Ubaldo, confessa que algumas de suas companheiras de cama sugeriam que ele tirasse seus óculos durante suas performances amorosas. Não gostava de fazê-lo, e considerava essas senhoritas umas degeneradas.
Seremos todos condicionados a ver somente a realidade que nos interessa?
De certa feita, fiquei muito impressionado com as fotos tiradas por um cego. Suas imagens eram focadas pelo olhar transmitido pelos outros sentidos.
Assim, consegui entender que nem tudo que vemos corresponde a uma realidade única, mas a várias, dependendo de quem, e de quando, ela  nos é  mostrada.
É preciso que todos os nossos outros sentidos estejam conectados com a intensidade do olhar a fim de que o mesmo não se deforme.
Atrizes importantes, portadoras de lentes de contato, como por exemplo, Marieta Severo, nos dá notícia sobre a dificuldade de continuar um diálogo em cena quando da perda momentânea de uma de suas lentes. É como se o  olhar fosse fundamental na conexão com a voz que emana de seus parceiros de trabalho.
O verbo é cego, mas é ele que cria as imagens.
Eu, por exemplo, mesmo após uma bem sucedida cirurgia para correção de catarata, sinto-me bem mais seguro ao enquadrar meu olhar através de lentes, mesmo sabendo não ser propriamente delas dependente.
Há no ar uma dúvida geral - estará o mundo desfocado, ou estaremos nos habituando progressivamente a contornos menos nítidos em tudo e em todos? A que caminhos estarão nos levando essa distorção da realidade?
Estudos neurocientíficos já indicam a questionabilidade entre o certo e o errado, uma vez que a realidade é totalmente diferente para cada pessoa, donde se conclui que há inúmeras realidades.
Parece jogo de palavras, mas o atual quadro político nos leva a acreditar nisso. Estamos nos comportando como um bando de desarvorados em busca de uma verdade que já não nos parece tão verdadeira.
Nunca na história vivemos tão perto da famosa “Caverna de Platão”. Massacrados pela força do mundo audiovisual, olhamos sombras, e acreditamos que essas sombras são a própria realidade. Imagens múltiplas, sempre nos querendo vender alguma coisa, mas que  não conseguem nos dizer mais nada. E  o pior de tudo, não conseguem mais nos comover. 

Gatão de Meia Idade - procurando encrenca...


29/10/2014

Nova experiência, por Gabriel Novis Neves


Nova experiência
Quando achamos que fechamos o nosso ciclo de novas experiências, eis que a necessidade nos obriga a viver situações até então inimagináveis. 
Nunca pensei, por exemplo, que um dia iria me transformar num spasiano. Pois é, vivenciei este novo aprendizado.  Passei uma temporada em um Spa Med. 
Foi muito útil para a minha saúde física e emocional. 
Há dois anos lesionei espontaneamente os meus dois joelhos, comprometendo meniscos, ligamentos, descolamento de cartilagem e até pequena área de necrose óssea. 
Tudo aconteceu, inclusive, com derrame articular de um deles, motivado pela idade. 
Depois de longo tratamento clínico, seguindo rigorosamente a prescrição médica científica com repouso das articulações e apoio fisioterápico, cheguei ao momento mais difícil. 
Era preciso diminuir meu peso corpóreo para aliviar o peso sobre os joelhos comprometidos com a patologia. 
Tentei dieta em casa orientada por nutricionista, mas, como a perda de peso era muito lenta, fiquei desmotivado. Voltei a comer como antes. Usando o bom senso, claro! 
Sem poder me dedicar a um dos melhores exercícios para perder calorias, a caminhada – joelho estourado – fui fazer aulas de Pilates. 
Não emagreci, pois não é a proposta deste método. Mas, adquiri um pouco mais de resistência física e mental, aumento do tônus muscular, entre outros benefícios. 
Não desejava tomar remédios para perder peso, pois seus efeitos colaterais são maléficos para mim e, ao parar de ingeri-los, tudo volta como dantes com relação à balança. 
Esse fenômeno tem o nome popular de efeito sanfona... 
Resolvi então, depois de mais de dois anos lutando contra a balança, e, por tabela, me estressando, seguir orientação profissional e me internei em um Spa por quinze dias. 
Sempre escutei falar muito em Spa. E, confesso, tinha um pouco de preconceito contra esses tipos de estabelecimentos. Pura ignorância minha, aliás, como todo preconceito. 
O termo Spa, segundo li, “provém da Antiguidade, quando nos tempos da Roma Antiga a aristocracia romana tinha o hábito de frequentar a estância hidromineral da cidade de Spa, localizada na província de Liège, no leste da Bélgica. As águas termais de Spa eram conhecidas pelas suas propriedades curativas.” 
Atualmente o termo é muito mais abrangente. Os Spas Med oferecem diversos serviços de saúde, sendo os mais procurados, com certeza, a reeducação alimentar e treinamento físico para redução do peso. 
Funcionam com uma equipe multidisciplinar de saúde. Tratam do corpo e da mente. Foi perfeito para mim! 
Submeti-me a toda orientação dos médicos e outros profissionais da saúde. Sou um paciente obediente e consciente.
Fiz massagens relaxantes, fisioterapia, exercícios anti-stress, assisti a palestras sobre obesidade - entre outras atividades prazerosas e salutares. 
Tudo isso aliado a uma alimentação balanceada e saborosa sob a supervisão de uma nutricionista. 
Fiquei muito satisfeito com o resultado. Por isso estou compartilhando com meus leitores esta experiência em um retiro terapêutico não programado. 
Como diz o meu irmão diante de uma situação não esperada, “é vivendo que se aprende”. 

28/10/2014

Ética médica, por Gabriel Novis Neves


Ética médica 
Em qualquer relacionamento a ética é soberana. No entanto, na relação médico-paciente ela é vital e única. 
Os ginecologistas em sua prática diária enfrentam um dos grandes desafios da Medicina: cuidar da mulher durante o seu período pré e pós-reprodutivo. 
A Medicina evoluiu, mas o médico vem perdendo, e muito, o seu relacionamento com o paciente. 
Ele não tem mais a necessária disponibilidade de tempo a uma boa anamnese (nela incluída o "ouvir” queixas, e não somente anotá-las). 
O tempo de uma consulta ficou muito reduzido para a maioria dos médicos brasileiros que trabalham por produtividade, atendendo pacientes de planos de saúde e do SUS. 
Sem essa relação humana, cujo tempo da consulta é determinado pela necessidade do paciente, não há possibilidade de que se estabeleça uma boa relação médico-paciente, que é fundamental para um bom diagnóstico. 
É inadmissível o afastamento dos ginecologistas desse objetivo maior da sua profissão – a ética. 
A paciente para ter seus males aliviados pelo avanço da Medicina e da Tocoginecologia necessita que seus médicos não se afastem dos princípios hipocráticos. 
Repito, a relação médico-paciente constitui a base fundamental no tocante à saúde da mulher. 
Sabemos que o momento é delicado para a classe médica, que vive uma das piores crises de identidade na história do país, cuja causa principal é a baixa remuneração e valorização profissional. 
Interessante lembrar que em pesquisa recente de grande credibilidade científica, apenas 1% das pacientes escolhe o seu ginecologista pelo seu currículo acadêmico, transformado em “fama”. 
Indicação de amigas, familiares e de outro médico constituem 62% da preferência. 
Já nos convênios, esse percentual sobe para 32%, mesmo quando indicados por amigas, familiares e médicos, a maioria dessas clientes pertence a um plano de saúde. 
As do SUS nem direito têm de escolher o seu médico. 
É apenas um número em uma imensa fila de espera. 
A maior exigência da paciente numa consulta é o comportamento ético do médico, hoje negado pela massificação do atendimento e sua desumanização. 
Frente a esses pequenos dados de uma pesquisa científica, podemos avaliar a qualidade dos nossos serviços médicos no que se refere à ginecologia. 
Existem as ilhas de excelência em atendimento médico no Brasil, mas infelizmente para poucos.