25 de jul de 2016

O silêncio que antecede, crônica de Valéria del Cueto

M Amanhã 160225 015 Museu do Amanhã globo vitroO silêncio que antecede

Texto e foto de Valéria del Cueto
Estou no meio da festa que vai começar. Numa posição, cá entre nós, privilegiada. Depois do Rio dos Jogos  Pan Americano, da Copa do Brasil, vem aí a Olimpíada carioca.
E vou aproveitar. Pretendo não analisar, apenas registrar a vida onde sempre vivi. Como essa cidade tão cheia de contradições, chamada de maravilhosa, abriga e acolhe os visitantes de todas as partes do mundo.
Foi na Copa do Mundo de Futebol de 2014 que a brincadeira tomou um formato, como explicado na época na crônica “Sem dizer adeus” Lá, a hashtag era #Copa2014bacana. Teve o #justbefore, mostrando Copacabana nos dias que antecederam o início da competição, o #justnow, a temporada de jogos e o #justafter, com o desmonte dos equipamentos e o retorno à normalidade. Todo o material fotográfico, em vídeo e links de outros veículos de comunicação foram agrupados numa linha do tempo, publicada no http://storify.com/delcueto/copa2014bacana
Repito a proposta no #valeRio2016. É a mesma ideia partindo de outra ponta, não mais da do Leme, que começa a ser realizada. Agora Copacabana não será o único foco. A ponta de partida é a do Arpoador, com saída para Ipanema e a perspectiva do posto 6, no final de Copacabana. O arco foi ampliado, incluindo o centro da cidade. Mais especificamente a Orla Conde,  um novo espaço urbano do Rio, onde serão realizadas as atividades que agitaram fun fest montado em Copacabana durante o Mundial de Futebol, em 2014.
Uma intensa e variada programação cultural ocupará o espaço e os palcos distribuídos entre os Museus do Mar e do Amanhã, na Praça Mauá, e a Praça XV. Além de apresentar ao mundo as intervenções de recuperação da área, incluindo a demolição da Perimetral, outra vantagem do lugar é não ter problemas em relação ao barulho das festas e shows. A zoeira causou transtorno aos moradores de Copacabana no evento de 2014. A região da Orla Conde é área comercial. E o lugar é lindo...
O Rio dos carnavais, dos réveillons, do Pan e da Copa, certamente saberá receber seus convidados. Falo no que depender do carioca. O que parece não ser muito na Babel que se instalará por aqui.
Não, não pretendo frequentar as arenas dos jogos. O  credenciamento no Rio Media Center facilita o acesso aos espaços gerenciados pela prefeitura. Está bom demais. Verei os jogos em casa, ou nos telões. Se sou fissurada por esportes, imagine as Olimpíadas.
A primeira que lembro ouvir falar, pitoquinha ainda, é a da Cidade do México. José Sylvio Fiolo ficou em quarto lugar nos 100 metros de peito. Anos depois, treinei por um tempinho com seu técnico, o Pavel, no Botafogo. Na de Munique foi a vez de Mark Spitz com seus recordes mundiais e medalhas de ouro em 7 provas de natação  me fisgar de vez. Chorei com Misha na despedida de Moscou...
As Olimpíadas acontecem sempre em anos de campanhas políticas. Eleições de prefeitos e vereadores. Costumo estar trabalhando. Em 1988 e 2000 e 2008, dei um jeito de trabalhar no turno da madrugada, para poder acompanhar as competições dos jogos de Seul, Sidney e Pequim, respectivamente.
Não, não terei tempo para correr de um complexo para o outro e ainda me concentrar no entorno, no encontro dos povos. É nele que pretendo focar minhas lentes.
E quero faze-lo com o meu melhor olhar! Como, imagino, estejam nesse momento os olhares dos atletas que competirão no Rio, a Cidade Maravilhosa. Voltados para a perfeição dos movimentos, para o auge de suas performances. Se possível, para a vitória. Pensamento positivo, energia acumulada, concentração e foco.
Eles não querem saber das notícias, especialmente as negativas. Nada que interrompa ou altere o percurso em direção ao objetivo almejado por tanto tempo certamente com sacrifícios e entrega.
Que os Deuses do Olimpo nos abençoem!
Links dos ensaios
  • #valeRio2016 - A Olimpíada do @Rio2016 vista da Ponta do Arpoador.
  • #copa2014bacana - Visão da Ponta do epicentro do futebol mundial: do Leme, a Copa
Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Arpoador” do Sem Fim...

18 de jul de 2016

Morro do Paxixi, por Valéria del Cueto

Aquidauan 160524 040 Paxixi geral panorama bruma

Morro do Paxixi

Texto e foto de Valéria del Cueto
Ainda falta falar de algumas coisas do meu belo Mato Grosso, o do Sul. Então, vou começar pelo princípio.
A partida foi promissora. Subindo, num final de tarde, o Morro do Paxixi, na ponta da serra de Maracaju. Tração nas quatro rodas, o sol desenhando as margens da estradinha de chão...
Os “ais” e “uis” nas curvas da estradinha sinuosa de Rosely, sogra do Carlão, o Dr. Carlos Nunez, promotor da expedição que tomou o rumo de Camisão, distrito de Aquidauana, eram justificados.  Imagine algo do tipo a borda da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, com acesso beeem precário. Antes da subidona, uma bifurcação, um ou outro boteco, algumas casas e chácaras. Quanto mais alto, mais espaço. As grandes fazendas no topo do platô, invisível para quem olha lá de baixo.
Para não dizer que foi tudo perfeito, subimos tarde! Nessa época do ano o dia acaba cedo e o sol baixa rapidamente... A sombrinha de agora virava rapidamente  a luz insuficiente e muito baixa, diminuindo a diversidade de bons registros.
O Paxixi é o tipo de lugar quase inesgotável quando se pensa em sombra, luz e drama. Mesmo parado em um único local as possibilidades são infindáveis em tentativas de registro em horas variadas do dia e com as variações da posição do sol ao longo do ano. Mudam as cores, os tons e a incidência de luz. Uma festa!
A subida quase foi mal sucedida. Lá pelas alturas encontramos a picada fechada por um trator e caminhões. Era um mutirão de alguns proprietários para recuperar o traçado castigado pelas chuvas, provocando crateras, muita erosão e invadido pela vegetação exuberante nas laterais.
A necessidade de aplainar e limpar a rota se baseava também na impossibilidade de saber, numa manobra para evitar maiores danos aos amortecedores castigados pela buraqueira, se o mato escondia um trecho transitável ou camuflava um despenhadeiro na franja da morraria. Se fosse necessário dar meia volta, teria que ser de ré até um lugar que permitisse a manobra de retorno.
Fomos salvos pela gentileza dos peões e motoristas que retrocederam morro acima as máquinas para nos permitir prosseguir na aventura.
Mais um tempinho perdido e o sol baixando em meio a uma leve bruma que começava emoldurar as áreas mais baixas. Passamos pelo leito seco de pedras de um riacho e, firmando a marcha ladeira acima, fomos passando por porteiras até que o topo do maciço se descortinasse a perder de vista iluminado pelo sol da tarde.
Na direção das antenas receptoras, avistadas da estrada que liga Campo Grande a Aquidauana, encontramos topógrafos e engenheiros, próximos das áreas cercadas e cadeadas dos equipamentos.
O que poderia ser uma decepção pela ausência, provocada pela cerca de arrame, da vista do alto do platô acabou virando uma caçada fotográfica a seriema que resolveu passear perto do aramado.
Me senti em sintonia com o local e aa natureza, enquanto tentava, mansamente, me aproximar da musa inspiradora da música que ia usando como forma de diálogo, tentando fotografá-la:
“Oh! Seriema de Mato Grosso,
teu canto triste me faz lembrar,
aqueles tempos que viajava,
tenho saudades do seu cantar.
Maracaju, Ponta Porã,
quero voltar...”
Registro feito, papo batido e era hora de descer a ladeira, antes que escurecesse de vez.
Por um momento, tolinha, achei que aquela tinha sido um sinal de boas vindas para o que ainda veria de natureza na viagem pelo Mato Grosso do Sul.
Ledo engano. Foi, sim, um presente de despedida. A partir desse dia, o tempo virou de um jeito! Tudo cinza, chuva e frio. Tive que desfazer meus planos, agradecer a boa sorte dos registros feitos e viajar num outro sentido: o literário, como você já sabe pelos outros textos dessa saga pantaneira.
Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fronteira Oeste do Sul” do Sem Fim...
Seriema (Mário Zan – Nhô Pai)




14 de jul de 2016

De Eduardo Cunha


"...É o oportunismo da reação e da vingança".
Eduardo Cunha, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, antes da votação de seu recurso.
- Parece título de novela mexicana, - observa Pedrão, pdedindo maus uma. - Essa é para comemorar!

10 de jul de 2016

Outras memórias pantaneiras, por Valéria del Cueto

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Texto e foto de Valéria del Cueto
Perdi as palavras diante dos sentimentos. Muitos. Profundos. Emocionantes.
Até especialistas em se expressar, coisa que sempre busquei nas mais diferentes “mídias”, se calam quando tudo é pouco diante dos fatos e os diversos graus de sensações que provocam.
Voltei ao meu belo Mato Grosso, aquele de antigamente, ainda sem divisão geográfica. E os tempos queridos, acreditem, os que não voltam nunca mais, estavam lá.
O pé de cedro havia crescido e dado novas ramificações. Encontrei o pequeno arbusto cheio galhos e de raízes crescidos no tempo em que distantes vivi, amei e, claro, também sofri.
Todos nós nos transformamos...
Sua sombra amiga me acolheu e protegeu, me mostrou seus frutos (cedro dá que tipo de frutos? Sei lá...)
E nada do que imaginava para essa jornada aconteceu como planejei. Tudo foi mais.
Mais tempo nublado e chuvas, o que não seria problema se não fosse a duração quase permanente, o que gerou menos imagens reais como pássaros, animais e exuberância natural na região pantaneira.
Isso me empurrou para os livros que levaram a imagens de outros tempos mais, muito mais antigos. Voltei à Guerra do Paraguay.
Aos encontros e desencontros dos pioneiros que entre batalhas, muito trabalho bruto, longas esperas e amores povoaram o baixo Pantanal e a fronteira entre Corumbá e Ponta Porã.
Se pouco soube de Solano, o invasor paraguaio, li a respeito de Raphaela Lopes, sua irmã, que se casou com o interventor designado pelo Império Brasileiroe a saga da vinda da família Pedra para a região. Sou quase um deles. Além dos netos de Pompílio, agora, “colada” com mais duas gerações.
Quando, finalmente, o tempo permitiu que começasse a fotografar já estava encharcada pela água dessa fonte de lembranças expandida com a ajuda de informações e indicações de como lidar com um baú de comitiva repleto de imagens e referências.
Tudo veio pra mim. Primeiro na Casa Candia, de dona Jandira, em Anastácio. Depois na Selaria Renascer, do seo Jairo, em Aquidauana. Nos dois lugares tive direito a um “Guia Lopes” para me conduzir pelas macegas de objetos emblemáticos, ícones das narrativas que havia devorado nos livros.
Isso em meio a uma outra guerra que acontecia na vizinhança. Sangrenta, sem tréguas. Cinematográfica. Em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero a disputa pelo poder do tráfico se desenrolava nas ruas. Registradas por câmeras de vídeo dos celulares e disseminadas pelas redes sociais. A violência da fronteira evoluiu, como quase tudo em volta, mantendo sua essência.
Os últimos dias da viagem me levaram a Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, à celebração das novas gerações da família, continuação dessa estirpe que vem lá de trás.
Pais, avós, filhos, netos, numa alegre confusão, em comunhão com a vida, independente dos percalços e diferenças. Esperança!
Tudo ao seu tempo - não conforme meus planos (como sempre)-, acabou acontecendo.
Na última manhã da viagem, o ciclo se completou com a ajuda de Osana. Foi ela que me indicou nos jardins onde seria o desfile da passarada: tucanos, curicacas, beija-flores... Vieram para a despedida!
Um até logo cheio de gratidão de minha parte, emoldurado pelo sorriso que não tem preço de uma das queridas matriarcas da família, que não nega seu sobrenome: Pedra!
* Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fronteira Oeste do Sul” do Sem Fim...

3 de jul de 2016

Mala de Garupa, por @delcueto

AquidSela 160616 012Mala de garupa

Texto e foto de Valéria del Cueto
Passei pela frente da Selaria Renascer, na rua Dr. Sabino, no Bairro Alto, algumas vezes. Naquelas horas em que, numa cidade nova a gente busca referências para tentar se localizar.
Havia muitas outras selarias na cidade. Afinal, estava numa região cercada de fazendas com características de lida com muito gado e cavalos.
Mas aquela construção numa rua tranquila, parede com parede com a loja de roupas novas e usadas, atraindo a atenção pelos casacos de frio expostos nos manequins e, do outro lado, a casa mais para o fundo do terreno, uma árvore enorme na frente e a carroceria velha de caminhão, com o nome da cidade AQUIDAUANA, pintado na madeira, jogado ali, na vertical, havia prendido minha atenção.
Na frente, arreios e outros adereços pendurados na parede e no telhado do puxado da varanda. A mureta no pé da árvore ao lado usada como apoio para o copo de alumínio, a bomba e a térmica do tereré. A parte voltada para rua servindo de expositor para o pelego e as botinas, mostrando o trabalho. O laço pendurado num galho.
Nas duas portas da loja a confusão se derrama pela calçada, conforme a necessidade do serviço de selaria e sapataria solicitado pelos clientes fiéis.
Me identifiquei. Descobri que o lugar do meu desejo ficava em frente da casa de Roseli, mãe de Rosanie, sogra do Dr. Carlos Nunez, e companheira de tardes cinzentas de cafés e histórias, inclusive dos antigos Pavilhões, um tipo de circo só com peças teatrais e cantorias que viajavam pela região antigamente.
Na segunda passada parti para a tarefa necessária de pedir autorização para fotografar o local. Não sem antes esclarecer para seo Jairo que não, não tinha intenção de cobrar nada para desvendar em imagens os segredos de seus 61 anos.
“Nasci em cima dos couros. Aprendi a profissão vendo meu pai. Ele trabalhava numa fazenda e, quando se machucou, começou a lidar com couro”.
A história veio junto com tesouros que ele foi tirando dos fundos do estabelecimento. Diz a “Vizinha”, como Roseli chama sua mulher, que faz tempo desistiu de arrumar a oficina, onde sua entrada “é indesejável, graças a Deus”.
Começou com a ponta de uma zagaia “usada para matar onça”. Veio a máquina de costurar de antigamente, a ferradura de ferro “hoje são mais finas, de alumínio”, a guaiaca velha que o peão pediu para ser copiada, “mas se aposentou antes da execução do serviço e, aí, pra que guaiaca?”, o entalhe em madeira do preto velho, o berrante e o baú de uma antiga comitiva.
“Só não tranço o couro. Antes, até curtia”. Primeiro com angico. Aí, reclamaram do problema ambiental. “Besteira, a gente não corta a mata, só usa a casca”, observa. “Daí passei para o tanino. Desisti com os problemas e a burocracia para documentar a atividade”.
A Vizinha fala com saudades da antiga Festa Pantaneira de Aquidauana, onde passavam dias acampados recebendo encomendas e mostrando a excelência do trabalho que sustentou a criação de seis filhos, “três com a mulher”...
Hoje, não vale mais a pena fazer produtos para vender, como botinas. O custo da mão de obra inviabiliza esta forma de negócio. “Agora, é mais encomenda”.
E foi de encomenda, prontamente atendida, que as mãos ágeis de Seo Jairo Soares Arguelho, além de trazerem do fundo da oficina suas melhores lembranças para o ensaio fotográfico da selaria, também repararam minha moderna mala de viagem, descosturada no vai-e-vem dos aeroportos da vida. Em cada ponto, uma história, um mergulho na mala de garupa da vida de um artesão aquidauanense e seu cotidiano pantaneiro...      
Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Crônica da série “Fronteira Oeste do Sul” do Sem Fim...

29 de jun de 2016

#valerioRio2016 @no_rumo das Olimpíadas no Rio de Janeiro


A escriba cansou, foi ali e voltou. Apresentando o novo ensaio a ser produzido #valeRio2016.
O raid pela orla carioca no período pré, em e pós Olimpíada do Rio de Janeiro.
As últimas do ensaio estarão nesta postagem e no mural do noGargalo, a sua direita.
Tem mais em @no_rumo do Sem Fim.
Clique AQUI conferir.