31/07/2014

Gatão de Meia Idade - semana das ex namoradas



Inocente, por Gabriel Novis Neves


Não gosto de ser taxado de inocente ou ingênuo, até porque isso não corresponde à verdade. Daí, até a tentação da figura de herói vai uma longa distância. 
Vivemos num sistema de tal forma blindado pelas forças que o cercam e o fortalecem  que me parece muita ingenuidade assumir atitudes tipo bravatas, quando em volta o que vemos é só hipocrisia e cinismo na manutenção do “status quo”. 
É mais ou menos como se gritássemos “Mengo” ou “Bota”  diante de um estádio totalmente vazio. 
Essa é a sensação que todos temos do momento político atual. Ouvidos moucos desprezam o clamor das ruas. 
Sofremos uma lavagem cerebral diária e subliminar que, por si só, é capaz de neutralizar com futilidades até as mais esclarecidas mentes pensantes. 
Quem estuda um pouquinho de neurociência sabe como isso é feito. 
Somos todos programados para a alienação coletiva, onde falsos valores nos são impingidos desde muito cedo, tais como objetos de consumo como fonte de prazer supremo. 
Vivemos em função de uma meta utópica de felicidade que nunca chega. Apenas mostrada nas mídias mundiais através  das fabricadas celebridades. 
Com o poder aquisitivo cada vez pior distribuído, formam-se exércitos de famintos pelo mundo afora. Essa é a triste história da humanidade, desde sempre. 
Nesse contexto, ódios, guerras, fome, violência de todo tipo, inclusive familiar, fazem parte do nosso cotidiano. 
As religiões, em sua maioria, nos fazem crer que isso faz parte da vida e que só assim chegaremos ao reino dos céus. 
Entretanto, modernidade e tecnologia avançam no dia a dia e portas de compreensão são abertas a todos, ainda que esses fatos não estejam sendo levados em conta pelas nossas autoridades. Felizmente as pessoas estão perdendo a ingenuidade e se tornando cônscias dos seus direitos de cidadania. 
Quantos séculos a mais serão necessários para que o homem passe de quadrúpede a bípede? 
Sim, porque a simples postura de bípede não nos conferiu nenhuma imunidade contra a boçalidade que nos tem acompanhado através dos tempos. 
Ao contrário, cada dia nós nos tornamos mais violentos com a nossa própria espécie, alheios a qualquer tipo de fraternidade mútua. 
Descrentes do Estado e de seus poderes reguladores, passamos a fazer justiça com as próprias mãos, tal como nos primórdios da civilização. 
Discursos políticos que não combinam com  a prática nos transformou num bando de inconformados, ainda que as nossas elites não se preocupem com isso. 
Afinal, por que não comprar brioches quando falta pão? 
Ou será que ninguém se recorda mais da Revolução Francesa? 

30/07/2014

Gatão de Meia Idade - semana das ex namoradas



Bobagem, por Gabriel Novis Neves


Tentaram convencer a nossa população que Cuiabá estava pronta para a Copa. Isto foi, no mínimo, uma grande falta de respeito. Foi subestimar a capacidade do povo de observar e avaliar tudo que acontecia ao seu redor. 
O programa de execução das obras da Copa foi um fiasco. A Arena Pantanal ficou pronta aos trancos e barrancos, pois sem ela não haveria jogo em Cuiabá. Mas, o seu entorno está uma calamidade. 
Dizem os responsáveis por essas obras intermináveis e descontroladas, que todas as obras iniciadas serão finalizadas. O povo fica meio ressabiado, não sem razão. E só Deus sabe quando elas ficarão prontas. 
A obra do VLT, a mais cara da mobilidade urbana – um bilhão e quinhentos milhões de reais – está somente 50% concluída. Até os trens já foram comprados, e corre grande risco de apodrecerem no depósito se a obra não for rapidamente entregue à população. 
Diante deste cenário de puro caos, os irresponsáveis pela conclusão das obras ainda tiveram o atrevimento de pedir aos cuiabanos para mostrarem toda a sua hospitalidade para com os turistas.
Os cuiabanos são hospitaleiros, sim. Mas estão cansados de ser lembrados somente para amenizar problemas causados por seus governantes. Eles que ponham suas caras à tapa! 
Se a nossa conhecida hospitalidade sensibilizasse as nossas autoridades, teriam concluído o Hospital Central, paralisado há mais de vinte anos. Teriam concluído o novo Hospital Universitário na estrada de Santo Antônio, cujo projeto de quatro anos nem saiu da prancheta. Teriam colocado em funcionamento as UPAS e os PSFs em números suficientes para atender a população. Teriam concluído o novo Pronto Socorro e o antigo (PSMC) reformado para a Copa. 
O centro de diálise do HUJM já estaria atendendo a população e o setor de transplante de órgãos em plena atividade. 
O número de leitos hospitalares não teria diminuído, assim como as equipes de profissionais de saúde, completas e trabalhando motivadas. 
Medicamentos da Farmácia de Alto Custo jamais faltariam. 
Nosso ensino seria um dos melhores do Brasil. Segurança e transportes não seriam problemas e a operação Ararath não nos visitaria, ferindo mortalmente nossa imagem de gente séria e hospitaleira. 
A corrupção estaria banida do nosso Estado e a impunidade aos poderosos não existiria. 
“Os voluntários da FIFA” tiveram muita dificuldade  para explicar aos turistas porque nenhuma seleção, mesmo sendo Cuiabá o local de quatro jogos da Copa, escolheu nossa hospitaleira capital para se hospedar e se adaptar ao nosso clima. 
Nossa cidade está toda esburacada, violenta, sem equipamentos sociais para atender a demanda do evento internacional. Está parecendo uma praça de guerra. 
O povo cuiabano sempre foi hospitaleiro, mas, não o suficiente para seduzir turistas a conhecer as nossas belezas naturais com esse cenário desolador. 
Também não ocultarão a dilapidação do nosso patrimônio histórico e cultural. 
Afirmações levianas como estas nos fazem perder a pouca credibilidade que construímos junto aos estrangeiros. 
O momento era mais para calar, ao invés de falar bobagens. 

29/07/2014

Gatão de Meia Idade - semana das ex namoradas



Tem preço?, indaga Gabriel Novis Neves


Uma das perguntas inquietantes e que constituem moeda aceitável hoje: Os valores morais têm preço? 
A indústria da judicialização é uma das mais prósperas de nosso país. Diante de qualquer possibilidade de se obter uma vantagem monetária, a justiça é chamada para calcular o valor do possível dano. 
Na área da medicina é uma das causas do sucateamento e, principalmente, da falta de humanismo no atendimento médico. 
O trabalhador de saúde geralmente tem medo do seu cliente. Ele, não raras vezes, durante a consulta médica fica atento à possibilidade de algo que lhe possa render para processar o médico. 
O resultado é a medicina tecnológica usada abusivamente, mais para proteger o profissional de saúde de uma possível chantagem jurídica do que para resolver problemas médicos dos seus pacientes. 
Essa situação provoca o médico a solicitar todos os exames laboratoriais existentes, gerando custos insuportáveis para governos e planos de saúde. 
Lamentavelmente está quase totalmente interrompida a relação médico-paciente e o exercício hipocratiano da medicina. 
O mundo hoje é para os especialistas em doenças, e não, em doentes. 
Cada vez mais desaparecem do mercado de trabalho os médicos humanistas, especialmente os das áreas básicas como clínica médica, cirúrgica, pediátrica, ginecológica e obstétrica. 
A vida humana tem preço? 
O triste é que tem gente que faz cálculo sobre quanto vale um pâncreas, um pulmão ou uma tireoide. E ainda vem o governo descaradamente nos apresentar programas de “humanização da medicina”, mantendo e incentivando um sistema injusto de saúde aos pobres. 
Para os curiosos vou citar apenas dois itens da lista de preços da pesquisa do cientista Edward Thorndike, psicólogo social: um dente equivale a quatro mil e quinhentos dólares e um dedo do pé a cinquenta e sete mil dólares. 
Thorndike revelou que quase um terço dos participantes da pesquisa considerava as mesmas “incomensuravelmente repugnantes”. 
Vamos pensar gente? 
Talvez mudemos de opinião a tempo de influenciar na mudança deste quadro doloroso e interromper esse sistema cruel que vem martirizando a vida das pessoas, especialmente dos menos favorecidos socialmente. 
Temos a arma, basta dispará-la. É o nosso voto secreto nas próximas eleições gerais.