2 de mar de 2015

Mangueira carnaval 2015, por Valéria del Cueto

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Mangueira carnaval 2015
Ensaio fotográfico da verde e rosa no Desfile das Escolas da Samba do Grupo Especial, domingo, 21 de fevereiro de 2015, com o enredo "Agora chegou a vez vou cantar: Mulher da Mangueira, mulher brasileira em primeiro lugar", do carnavalesco Cid Carvalho.
Clique AQUI ou na foto abaixo para a coleção completa das fotos.Mangueira 15021 670 ala passistas vestido colher
* Nas próximas postagens a coleção será dividida em álbuns de assuntos específicos como:
Carros na Presidente Vargas
Concentração
Bateria
Mestre-Sala e Porta-bandeira ‎
Por Valéria del Cueto, @no_rumo para carnevalerio.com
* O grupo Gres Estação Primeira de Mangueira, no FLICKR é o acesso para a coleção de registros da verde e rosa da fotógrafa 
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1 de mar de 2015

Banco de idosos, por Gabriel Novis Neves

Banco de idosos 
Países que não valorizam os seus idosos mostram um quadro deprimente nas salas reduzidas dos bancos a cada início de mês. 
Filas de semi-inválidos formam-se na tentativa de recebimento de suas parcas e humilhantes aposentadorias. 
Algumas instituições nem sequer lhes permitem o uso de talões de cheques, já que suas contas salário, existentes apenas para esse fim, não fazem jus a esse conforto. 
Eles são obrigados a fazer prova de vida anual no mês do seu aniversário, ou delegarem procuração a outras pessoas. 
Alguns idosos, bastante debilitados física e mentalmente, são conduzidos por seus familiares ou cuidadores, algumas vezes até em cadeiras de roda, já que a bengala nessa faixa etária é quase parte da indumentária. 
O papo nessas ocasiões é surreal, e apenas suportável graças ao bom humor de uns poucos que, rindo de sua própria desgraça, conseguem levantar o baixo astral dos demais. 
Tudo isso seria evitado se os recursos que escoam impunemente pelos ralos da corrupção fossem usados corretamente em benefício da sociedade e se fosse mostrado um respeito ao patrimônio público. 
Em países desenvolvidos, como por exemplo, o Canadá, esses direitos são recebidos em casa através de agentes do governo que, por meio de visitas, aferem as verdadeiras necessidades e dificuldades dos beneficiários. 
A prova de vida é automática e controlada por meio de sistemas de alta tecnologia. 

Dessa forma evita-se o festival de horrores que nós, subdesenvolvidos, somos obrigados a assistir mensalmente. 
Deveríamos nos envergonhar diante da penúria e descaso a que são relegados aqueles que na juventude ajudaram o desenvolvimento do país e agora se veem totalmente abandonados e desvalorizados pelo poder vigente. 
Aliado a esta situação vexatória, ainda sofrem o preconceito, por parte de muitos, que transformam os velhos em verdadeiros párias da sociedade.

28 de fev de 2015

Peneira, por Gabriel Novis Neves

É comovente o esforço que certos políticos fazem para esconder da nossa população a ausência do nosso Estado no cenário do poder federal. 
Tentam “tapar o sol com a peneira”, como no sábio provérbio tão do agrado dos cuiabanos. Lançam na mídia informações sobre suas negativas para ocupar cargos de grande visibilidade no primeiro escalão governamental. 
Vez por outra certos figurões da nossa política afirmam pelas mídias que recusaram pedidos insistentes da Presidente da República, onde ministérios importantes foram colocados à sua disposição. 
Um conhecido jornalista recomenda aos políticos que em entrevistas falem sempre que foram convidados para assumir ministérios e que não aceitaram, apenas para demonstrar prestígio junto aos seus eleitores. 
Todos sabem que o nosso Estado de há muito está às margens do poder central, se alimentando de migalhas dos recursos que daqui saem, principalmente pelo agronegócio. 
Por outro lado,  a atual presidente, em quatro eleições disputadas, seu partido nunca venceu na terra da soja. 
No momento há uma luta terrível entre nossos políticos da base de sustentação do governo para emplacar um representante da nossa região, mesmo no terceiro ou quarto escalões da administração federal. 
Sem representatividade política densa em um governo político, a tarefa é difícil e, para piorar, nossos últimos representantes não foram felizes em suas participações nas administrações federais. 
Na política vale o que se vende, e não, a realidade dos fatos. 
Continuaremos “superprestigiados” por Brasília, como a “peneira tapando o sol”.

27 de fev de 2015

Pós-carnaval, por Gabriel Novis Neves

Há uma crescente preocupação da população brasileira com o que poderá acontecer no próximo mês, produto de anunciados movimentos sociais reivindicatórios que ocuparão as ruas substituindo as fantasias de Momo.
Torço para que o serviço de meteorologia política esteja errado.
Jornalistas, cientistas sociais, professores, empresários, políticos e órgãos de classe diariamente registram nas mídias suas opiniões desfavoráveis ao momento atual.
O Brasil parou envolvido pelo estrondoso escândalo do petrolão e outros de quase igual porte, afugentando investidores internacionais e nacionais, freando nossa economia e, por tabela, o crescimento.
Seria cansativo repetir que a inflação voltou, os salários da maioria da nossa gente estão achatados, nossa moeda desvalorizou e importamos mais que exportamos.
Como dizia Aristóteles, uma democracia degenerada nos leva a um governo demagógico. Este sistema é uma forma de atuação política com o objetivo de manipular ou agradar a massa popular, incluindo promessas que dificilmente serão cumpridas.
A demagogia visa apenas à conquista do poder político ou outras vantagens correlacionadas.
Na verdade é uma estratégia de condução político-ideológico muito apreciada em nosso país.
Argumentos apelativos, emocionais ou irracionais, são utilizados em troca de racionalidade, tudo para proveito próprio.
A demagogia manipula a maioria pelo uso de aparentes provas  de senso comum mesclados com separações enganosas. Esta prática, que remonta à antiga Grécia, não tinha conotação negativa a princípio.
Atualmente a demagogia é interpretada como ofensa de caráter pessoal aos seus seguidores, embora seja uma característica do político ocidental.
Aristóteles sempre chamou de democracia o que denominavam de demagogia, pois tinha para si a profunda corrupção do governo popular no tempo que escreveu.
Atolados em um governo que se diz popular, temos tudo para, infelizmente, acreditar nas previsões feitas para o pós-carnaval.
Reza fez chover no Rio de Janeiro.
Talvez pelas orações consigamos sair desse mato sem cachorro em que nos metemos. 

26 de fev de 2015

Filme antigo, por Gabriel Novis Neves

Há anos assistimos cenas policiais de prisões de marginais das leis muito semelhantes às atuais, porém, com algumas diferenças.
Antigamente essas operações policiais produziam uma comoção na cidade com seus “heróis” se autoproclamando como únicos defensores intransigentes da ética e da moral, pensando em benefícios próprios em um breve futuro. 
Atualmente as cinematográficas prisões de alguns não mexem com o emocional nem com a autoestima das pessoas, pois todas acreditam na impunidade, hoje marca nacional. 
Outro fato importante era que todo o mal ficava centrado oficialmente em apenas um cidadão, na época paparicado por políticos, autoridades e grande parte do café society tupiniquim pela grandiosidade das suas generosidades. 
No caso em discussão, fica explícito a promiscuidade entre corruptores (agentes públicos) e corruptos (os executivos da malandragem). 
A população, descrente pelas duras penas jurídicas somente concedidas aos pobres, a tudo assiste indiferente. 
Não existe mais discrição para atos ilícitos, pois a rede de beneficiários é extensa e com ramificações em todos os segmentos do poder. 
Quando a mais poderosa rede de televisão do Brasil anuncia que vai denunciar casos crônicos de corrupção, o poder constituído resolve tomar alguma providência para amortecer o impacto da notícia no cenário nacional.  
O pagador de impostos, o maior prejudicado pelos atos de vandalismo ao erário público, continua acreditando na impunidade dos grandes. 
Esse antigo mal, que atingiu a maior empresa brasileira de petróleo, espalhou os seus métodos de conquista do poder pelo dinheiro sujo da corrupção a todos os Estados. 
As providências tomadas contra essas indignidades são como fogos de artifício na passagem do ano, efêmeras. 
Mesmo sob investigação, o roubo continua institucionalizado em todos os segmentos da nossa sociedade. 
Enquanto isso, nossos presídios continuam superlotados, funcionando em condições sub-humanas e encarcerando apenas pobres, negros e ladrões de galinha. 
Queremos assistir filmes onde no final o bem vença o mal, e não, onde os "heróis" dos grandes assaltos às nossas instituições são libertados. 
Com essa política de governo vigente seremos sempre um país do futuro. 
Cadeia para corruptores e corruptos, ou permaneceremos para sempre no rol das nações mais atrasadas do mundo! 
Filme novo, minha gente!

25 de fev de 2015

Ditadura do corpo, por Gabriel Novis Neves

O grande pintor belga Rubens mal poderia imaginar em 1639, que uma de suas maiores obras, “As Três Graças”, quatro séculos depois, viria a ser criticada pela imperfeição das formas. 
Os três belos nus eram a representação das virtudes, como a Beleza, a Caridade e o Amor. 
Na mitologia grega “as Três Graças” representavam as deusas da Beleza, da Sedução, da Fertilidade, da Natureza e da Dança. 
Nos dias atuais - em que as pessoas não mais se permitem ser o que são - seus nus, venerado pela antiguidade, são  a visão que aterroriza as mulheres, a da celulite. 
Outros pintores da época fizeram quadros semelhantes, sempre focados na emoção que eles causavam pela simples contemplação. 
Pessoas absolutamente individualizadas exibiam,  despreocupadas, suas formas, quer nas alcovas, quer nos lugares públicos, totalmente livres de qualquer patrulhamento. 
Com o aparecimento da sociedade de consumo, logo a estética foi vista como um grande filão para altos lucros. 
Práticas paradoxais de comportamento foram rapidamente absorvidas pela sociedade e a humanidade foi se transformando num grande objeto a ser consumido. 
Primeiro passo seria estabelecer padrões estéticos únicos, uniformizando a coletividade. 
Surgiu assim a proliferação intensa das academias, prometendo a todos, em todas as idades, corpos esculturais, ainda que, em muitas vezes, em detrimento da capacidade articular  de cada um. 
Lucros astronômicos, levando consigo a indústria dos acessórios esportivos. 
Simultaneamente, aumento do número de programas televisivos de culinária, incentivando  o gosto por alimentação requintada  e a frequência a restaurantes grifados dirigidos por grandes chefes. 
Exacerba-se, não mais a alimentação saudável, mas sim o requinte no comer e no beber. 
Por outro lado, a obesidade apresenta níveis crescentes em todo mundo, principalmente nas classes menos abastadas que, por falta de tempo e dinheiro, fazem uso mais frequente da chamada “fast food”. 
Festas são o que há de melhor para a constatação desse exército de pessoas - se mulheres, com cabelos longos lisos, cílios postiços, seios siliconados e corpos anoréxicos vestidos cada vez mais sumariamente. 
A singularidade não mais existe nesse cardápio. 
Pelo contrário, o ser diferente passa a ser estigmatizado. 
Quem não se submete ao mercado é descriminado e vítima de preconceitos. Isso inclusive se reflete nas oportunidades de trabalho e nos meios sociais que rejeitam os que não pertencem aos padrões pré-estabelecidos. 
A velhice tonou-se inaceitável, já que o mercado dirigido a essa faixa percebeu que esse nicho só faz aumentar, tendo em vista os avanços tecnológicos. 
A ânsia de nos tornarmos clones de nós mesmos através de plásticas e tratamentos dermatológicos inovadores, tem sido a parte melancólica dessa nova cultura que vem transformando velhos, e outros nem tanto, em deformados pela obsessão da juventude eterna. 
O fato é que a humanidade foi se anestesiando com o tempo no tocante a valores, permanecendo apenas o que dela pode ser contabilizado em termos de lucro. 
As leis do capitalismo selvagem não vieram para brincar, e fabricar mentes programadas é uma das metas a ser alcançada. 
Técnicas subliminares de propaganda lavam em pouco tempo mentes até razoavelmente esclarecidas. 
Esses são os nossos tempos.