20 de dez de 2014

De repente, por Gabriel Novis Neves


De repente 
O tempo passou. A vida encurtou. Dezembro chegou nauseabundo, inquieto, com certa dose de melancolia para o balancete vivencial de final do ano. 
No crepúsculo do dia, no clímax desse estado desagradável, recebo pelo telefone um choque de alegria. 
O pai da minha neta caçula, muito emocionado, me comunica a vitória da danadinha. Conseguiu, aos dezoito anos, se classificar para cursar Medicina em uma universidade privada de Cuiabá. 
A notícia propiciou a mim, velho pedreiro de obras educacionais um efeito de pitada de realização na sua já longa caminhada. 
Como por encanto desapareceu o desânimo que inundava a minha alma e vi que a realidade me era, até certo ponto, muito favorável. 
A contribuição a uma empresa privada para participar como diretor da implantação de uma escola médica após os sessenta anos de idade, vejo hoje que não foi um acidente na minha carreira de médico e educador. 
Tonificado e emocionado, assisti a um lindo filme imaginário.  Fiz um longo passeio pelo passado.  Relembrei a história dessa menina guerreira, desde o seu nascimento até a sua atual vitória. 
Percebi, espantado, como o tempo corre vertiginosamente. Hoje, aquela menininha que aparei nos braços, será minha futura colega! 
Esforçada e obstinada, sempre acreditou no mérito do trabalho intelectual para conseguir o objetivo perseguido. 
Sua escolha profissional não sofreu interferência familiar.  Foi escolha pessoal, exclusivamente da sua responsabilidade. 
Dedicação foi a ferramenta que nunca lhe faltou para alcançar essa vitória em um vestibular nacional altamente competitivo. 
Nunca indaguei dos motivos que a levaram a escolher uma profissão tão bela e incompreendida. 
Acho que foi o desejo de participar das mudanças sociais tão necessárias neste país e que venham a favorecer, especialmente, aos mais necessitados. 
Todo trabalho é digno quando exercido com despojamento pessoal, solidariedade e compreensão humana. 
Espero que a minha mais nova futura colega, após longa e permanente caminhada em busca dos saberes, se qualifique para exercer a mais social das profissões. 
Sinto-me recompensado e repaginado, mudando para melhor a minha leitura sobre o meu passado. 
Felicidade e sucesso são tudo que desejo a você minha neta! 
Fiquei sensibilizado com a sua conquista - que me fez entender que tudo aconteceu tão de repente... 

19 de dez de 2014

Gatão de Meia Idade - as profissões de Sandrão



Delação premiada, por Gabriel Novis Neves

Delação premiada 
Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, optou pela delação premiada para diminuir seus anos de cadeia pelos crimes cometidos contra o erário público. 
Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional repetiu tudo que dissera à Polícia Federal do Paraná. 
A mais chocante das suas revelações, já do domínio público, foi a afirmação de que trinta e cinco políticos estiveram envolvidos no assalto à nossa principal estatal. 
Acrescentou que as irregularidades cometidas na empresa de petróleo acontecem no Brasil inteiro onde existam obras do governo - das rodovias às hidrelétricas. 
Todo brasileiro desconfiava da roubalheira, mas o poderoso ex-diretor generalizou o deslize ético, deixando como suspeitos todos os políticos e empresas desta nação. 
Isso veio corroborar com a declaração do advogado do doleiro encarregado das operações financeiras para a quadrilha quando disse que, por menor que seja o município brasileiro, não se assenta um paralelepípedo sem pagamento de propina. 
Assim nasce o famoso custo Brasil, que é o encarecimento e a péssima qualidade das nossas obras. 
A limpeza para salvar o Brasil da corrupção institucionalizada tem que ser ampla e irrestrita. 
A pergunta que os pagadores de impostos fazem: - haverá vontade política para colocar os interesses nacionais acima dos pessoais?
O governo tem a faca e o queijo na mão para executar essa assepsia e promover mudanças urgentes e necessárias respeitando o estado de direito. 
Diz um provérbio português que “A última gota d’água faz transbordar o copo”. Só um entendimento entre os três poderes da República e a sociedade civil pode evitar que o copo transborde. 
Ou tomamos uma decisão drástica e imediata ou teremos de conviver com as consequências de uma inundação de insatisfações e indignações até que tenhamos o mesmo destino do Titanic. 

18 de dez de 2014

Gatão de Meia Idade - as profissões de Sandrão



História do Brasil, por Gabriel Novis Neves


Após a última redemocratização com o frustrante desaparecimento do Doutor Tancredo Neves, anotamos vários episódios que marcaram a nossa recente história. 
Um de seus principais personagens foi o motorista do pequeno automóvel Elba do Presidente da República de então. 
Os anões do Orçamento. Renúncias de importantes políticos do Congresso Nacional para prevenção de uma sumária cassação por atos ilícitos. O mensalão. 
E agora, o escândalo da Petrobras, com a geóloga Venina jogando uma pá de cal no cadáver insepulto da ex-grande empresa. 
Mulher corajosa essa funcionária de carreira da estatal, outrora orgulho de todo brasileiro. 
De origem humilde, essa moça, nascida no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, por mérito pessoal, galgou os escalões superiores da dilapidada empresa de petróleo. 
Negou-se a participar do sofisticado e engenhoso esquema de corrupção que passava pelo seu setor de controle. 
Sofreu represálias dos seus superiores que a acusaram de traidora e covarde, segundo divulgação dos seus emails confidenciais, encaminhados, sempre em caráter de urgência, à alta direção da estatal. 
Como prêmio pelo seu “incompreensível” comportamento ético e coragem para alertar seus superiores das bandalheiras existentes, foi mandada para a Ásia chefiar um escritório da multinacional brasileira. 
Lá constatou também irregularidades nos contratos e mais uma vez fez ciência do fato às nossas autoridades. Como resposta foi designada a deixar a chefia do escritório para fazer um curso de especialização. 
Concluída essa etapa, veio recambiada para o Brasil e perdeu o cargo comissionado. 
Assim mesmo continuou alertando aos altos escalões da empresa sobre as inúmeras irregularidades, cada vez cometidas em escalas crescentes. 
Nada de resposta. Ameaçada de morte entrou de licença médica. 
Sua confidencial correspondência foi divulgada por uma revista de circulação nacional, e causou revolta nos pagadores de impostos elevadíssimos e salários achatados. 
A sujeira inundou este país.  Dias escuros nos esperam quando a geóloga for interrogada pelo Ministério Público. 
A expectativa é de uma catástrofe com mudanças profundas no desgastado cenário político brasileiro, com um Congresso desmoralizado e o Executivo fragilizado. 
A população, descrente dos seus líderes e instituições, exige uma solução ética, com punição exemplar para os assaltantes do erário público. 
O que o povo almeja é, simplesmente, que a lei seja cumprida!